quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

127 Horas


Mãos, mãos, mãos, mãos. Mãos são insistentemente mostradas no início de 127 Horas, o novo filme de Danny Boyle, ganhador do Oscar de melhor diretor por Quem Quer Ser um Milionário. As mãos são de Aron Ralston, aventureiro americano que no filme é vivido por James Franco. As sucessivas mãos que surgem na abertura do filme não estão lá por acaso. Elas são um sinal do que está por vir. Estão lá como se para aproveitar os ultimos momentos de liberdade. Isso porque durante os 75 minutos seguintes à abertura, ou nas 127 horas seguintes no filme, uma dessas mãos permanecerá aprisionada "entre uma pedra e um lugar duro".

"Between a Rock and a Hard Place" é a autobiografia de Aron que originou o filme, e nela são contados os detalhes das terríveis horas que o engenheiro mecânico passou em uma fenda do Blue John Canyon, com sua mão presa por uma pedra.

O que Aron passou durante esses cinco dias e algumas horas foi uma verdadeira odisseia. Não contarei o que acontece durante esse tempo, porque se contasse, estragaria a graça. Mas o que posso dizer é que apenas esses cinco dias mudaram a vida de Aron pra sempre. E a maior mudança certamente não foi física, mas sim psicológica.

127 Horas é daquele tipo de filme que te faz refletir sobre a sua própria vida. É incrível como somos felizes e não sabemos. É preciso às vezes uma grande perda para nós nos darmos conta de que como somos ingratos. Tendo tudo à nossa disposição quando queremos nos faz esquecer do quanto algumas coisas são imprescindíveis, e sem elas não somos capazes de viver.

Mas certamente, se não fosse pela direção de Danny Boyle e pela ótima atuação de James Franco, toda essa carga emocional necessária para o filme não teria sido tão bem transmitida. Apesar de se passar praticamente inteiro naquela estreita fenda de rocha, o filme consegue prender a atenção de quem está assistindo. Intercalando por vezes cenas da vida de Aron, Danny equilibra bem a tensão do filme. James simplesmente se transforma em Aron, toda a dor parece incrivelmente real. Com certeza sua melhor atuação até hoje, praticamente um monólogo.

A trilha sonora de A. R. Rahman, ganhador do Oscar também por Quem Quer Ser um Milionário, não pode deixar de ser mencionada. A música trás o embalo certo para o filme, conduzindo o espectador pela jornada de Aron.

A expetacular sequência inicial de créditos também merece atenção. O trabalho de edição é impecável, o filme não podia começar de forma melhor.

127 Horas é na verdade um filme superação. Mas graças ao belo trabalho da direção e do elenco, não se torna clichê e nem cansativo. E de quebra te fornece uma ótima reflexão sobre a vida.


127 Horas está indicado ao Oscar nas categorias Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Canção Original. Outra categoria que o filme poderia ter sido indicado é fotografia, as imagens do Blue John Canyon são lindíssimas.


James Franco será juntamente com Anne Hathaway, apresentador do Oscar 2011. Pelo que sei, é a primeira vez que um apresentador está também concorrendo a um prêmio. Estou curioso para ver como ele vai se virar na hora da entrega da estatueta de melhor ator!


4 Sushis!!!!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O Amor e Outras Drogas

Comédia romântica é provavelmente o gênero que mais origina filmes. E infelizmente, é também o gênero que mais origina filmes ruins. A fórmula hollywoodiana repete-se continuamente na vasta maioria dos casos. É raro um filme que foge ao padrão "menino conhece menina, no começo não se dão bem, mas no final acabam juntos". (500) Dias com Ela foi uma feliz excessão à essa regra, renovando esse gênero cada vez mais desgastado.


O Amor e Outras Drogas não é o novo (500) Dias com Ela, a fórmula hollywoodiana básica encontra-se lá. Mas ainda assim consegue sair do "mais do mesmo", graças às excelentes atuações de Jake Gyllenhaal e principalmente de Anne Hathaway. Além disso, a história arrisca-se em temas não muito explorados em comédias, como a indústria farmacêutica e o Mal de Parkinson.


O filme é dirigido por Edward Zwick, um novato nas comédias mas experiente com dramas e épicos. Dirigiu filmes premiados como Diamante de Sangue e O Último Samurai. E com essa experiência, consegue diferenciar O Amor... de outras produções do gênero.


Na trama, ambientada em 1996, Jamie Randall é um legítimo conquistador e aproveita seu sucesso com as mulheres para se tornar um exímio comerciante. Após largar a faculdade de medicina para desafiar o pai, Jamie entra no inescrupuloso mundo da indústria farmacêutica e usa seu tino comercial para convencer hospitais a aceitarem amostras grátis do antidepressivo produzido pela empresa em que trabalha. E é em uma dessas visitas à hospitais que conhece Maggie Murdock, uma jovem de 26 anos que sofre de Mal de Parkinson. Como não poderia deixar de ser, no início há um pequeno atrito, mas nada que dure mais de dez minutos. Adeptos do sexo casual, passam a se encontrar frequentemente. E isso, "surpreendentemente", evolui para amor, apesar de toda a resistência de Maggie, que por causa de sua doença nunca quis se apaixonar.


O enredo não é nada espetacular, mas Anne consegue transmitir toda a dor de uma pessoa jovem condenada a viver até o fim da vida com uma doença sem cura. Jake mostra que apesar de todo o charme que tinha, era uma pessoa vazia por dentro, que nunca disse "eu te amo" na vida. O casal possui uma química incrível, já explorada anteriormente em O Segredo de Brokeback Mountain, mas não de forma tão intensa. A combinação dos dois é tanta, que chega-se a esquecer que aquilo é apenas um filme e que não estão apaixonados de verdade. As inúmeras cenas de sexo, bastante explícitas por sinal, não são nada apelativas ou vulgares. Servem apenas para reforçar a forte atração do casal.


O pano de fundo, a indústria farmacêutica, trás também uma crítica, apesar de não ser amplamente explorada. Até que ponto os remédios que tomamos são realmente eficazes, já que o que realmente importa nessa indústria não é a eficácia, mas sim dominar o mercado? Ótimas tiradas cômicas provém também desse núcleo, como o mendigo que cura sua depressão com remédios da empresa adversária que Jake joga na lixeira, e as cenas envolvendo o Viagra, droga então recém descoberta.


O Amor e Outras Drogas tenta, mas não consegue abandonar totalmente os clichês. Mas ainda assim consegue um lugar de destaque dentre as inúmeras comédias românticas, trazendo um roteiro bem trabalhado e ótimas atuações, coisa que seus concorrentes raramente possuem.

4 Sushis!!!! (fui bem bonzinho, ahahaha)

Indicados ao Oscar 2011



A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood divulgou hoje a lista de indicados para o Oscar 2011. O Discurso do Rei lidera, presente em 12 categorias, seguido de Bravura Indômita, com dez. Destaque para a presença do brasileiro Lixo Extraordinário entre os melhores documentários. A lista:

Melhor filme

•Cisne Negro
•O Vencedor
•A Origem
•O Discurso do Rei
•A Rede Social
•Minhas Mães e meu Pai
•Toy Story 3
•127 Horas
•Bravura Indômita
•Inverno da Alma



Melhor diretor

•Darren Aronovsky - Cisne Negro
•David Fincher - A Rede Social
•Tom Hooper - O Discurso do Rei
•David O. Russell - O Vencedor
•Joel e Ethan Coen - Bravura Indômita



Melhor ator

•Jesse Eisenberg - A Rede Social
•Colin Firth - O Discurso do Rei
•James Franco - 127 Horas
•Jeff Bridges - Bravura Indômita
•Javier Bardem - Biutiful



Melhor atriz

•Nicole Kidman - Reencontrando a Felicidade
•Jennifer Lawrence - Inverno da Alma
•Natalie Portman - Cisne Negro
•Michelle Williams - Blue Valentine
•Annette Bening - Minhas Mães e meu Pai



Melhor ator coadjuvante

•Christian Bale - O Vencedor
•Jeremy Renner - Atração Perigosa
•Geoffrey Rush - O Discurso do Rei
•John Hawkes - Inverno da Alma
•Mark Ruffalo - Minhas Mães e meu Pai



Melhor atriz coadjuvante

•Amy Adams - O Vencedor
•Helena Bonham Carter - O Discurso do Rei
•Jacki Weaver - Animal Kingdom
•Melissa Leo - O Vencedor
•Hailee Steinfeld - Bravura Indômita



Melhor roteiro original

•Minhas Mães e meu Pai
•A Origem
•O Discurso do Rei
•O Vencedor
•Another Year



Melhor roteiro adaptado

•A Rede Social
•127 Horas
•Toy Story 3
•Bravura Indômita
•Inverno da Alma



Melhor longa animado

•Como Treinar o Seu Dragão
•O Mágico
•Toy Story 3



Melhor filme em lingua estrangeira

•Biutiful
•Fora-da-Lei
•Dente Canino
•Incendies
•Em um Mundo Melhor



Melhor direção de arte

•Alice no País das Maravilhas
•Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte I
•A Origem
•O Discurso do Rei
•Bravura Indômita



Melhor fotografia

•Cisne Negro
•A Origem
•O Discurso do Rei
•A Rede Social
•Bravura Indômita



Melhores efeitos visuais

•Alice no País das Maravilhas
•Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte I
•Além da Vida
•A Origem
•Homem de Ferro 2



Melhor figurino

•Alice no País das Maravilhas
•I am Love
•O Discurso do Rei
•The Tempest
•Bravura Indômita



Melhor montagem

•Cisne Negro
•O Vencedor
•O Discurso do Rei
•A Rede Social
•127 Horas



Melhor maquiagem

•O Lobisomem
•Caminho da Liberdade
•Minha Versão para o Amor



Melhor documentário

•Lixo Extraordinário
•Exit Through the Gift Shop
•Trabalho Interno
•Gasland
•Restrepo



Melhor documentário em curta-metragem

•Killing in the Name
•Poster Girl
•Strangers no More
•Sun Come Up
•The Warriors of Qiugang



Melhor curta-metragem

•The Confession
•The Crush
•God of Love
•Na Wewe
•Wish 143



Melhor animação em curta-metragem

•Day & Night
•The Gruffalo
•Let's Pollute
•The Lost Thing
•Madagascar, Carnet de Voyage



Melhor trilha sonora

•Alexandre Desplat - O Discurso do Rei
•John Powell - Como Treinar o seu Dragão
•A.R. Rahman - 127 Horas
•Trent Reznor e Atticus Ross - A Rede Social
•Hans Zimmer - A Origem



Melhor canção original

•"Coming Home" - Country Strong
•"I See the Light" - Enrolados
•"If I Rise" - 127 Horas
•We Belong Together - Toy Story 3



Melhor edição de som

•A Origem
•Toy Story 3
•Tron - O Legado
•Bravura Indômita
•Incontrolável



Melhor mixagem de som

•A Origem
•Bravura Indômita
•O Discurso do Rei
•A Rede Social
•Salt

A 83a. cerimônia de entrega dos prêmios principais acontece no dia 27 de fevereiro no Kodak Theatre.




(Fonte: omelete.com.br)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Deixe ela entrar e Deixe-me entrar

Há um pouco mais de um ano ouvi falar de um filme de terror sueco que estava fazendo sucesso em vários festivais. Filmes suecos sempre me remetem à Bergman, e portanto, filmes de ótima qualidade. Fiquei curioso e fui pesquisar. O filme em questão era Deixe ela entrar (Låt den rätte komma in), de 2008. Adquiri o filme na época, mas depois, com tantos outros para assistir, acabei deixando esse sempre para depois.
Uma refilmagem americana foi anunciada, estrelando Chloë Moretz, a incrível menina de 13 anos que impressionou a todos como a Hit Girl de Kick-Ass. Isso me empolgou, mas ainda assim, não tomei a iniciativa de assistir ao filme.
Agora, com o lançamento da refilmagem, finalmente fui assistir o original, e na mesma semana vi a nova versão. E os dois filmes são realmente belíssimos.
O filme conta a história de um garoto de 12 anos, Oskar (Owen na versão americana), o estereótipo de garoto sem amigos e vítima de bulling na escola. Um dia, muda para o apartamento vizinho ao seu uma garota aparentemente da sua idade com seu pai. O que Oskar não sabe é Eli (Abby na nova versão) é uma vampira, e começará uma perigosa e bela amizade com ela.
A trama pode não parecer tão atrativa e até mesmo pode soar semelhante à série 'Crepúsculo', mas isso é apenas a aparência. O filme na realidade é uma densa e bela fábula sobre a amizade e a solidão, que acompanha os dois personagens de formas distintas. Eli /Abby não pode fazer amigos por ser uma vampira com sede de sangue e Oskar / Owen vive fugindo dos valentões da escola, que o maltratam de forma até chocante de assistir. E é dessa solidão que surge a grande amizade dos dois. Uma amizade estranha, que começa fria e vai esquentando aos poucos, chegando a proporções inimagináveis.
O filme foi classificado como terror, mas na verdade, é um pesado drama, com pitadas de sangue. O fato de Eli/Abby ser vampira é apenas uma alegoria para retratar os problemas da adolescência.
Agora vamos falar sobre cada filme em particular.
Deixe ela entrar é um filme que se aproxima de uma obra prima. Lindamente filmado, predominam os tons de azul e cinza. As atuações são ótimas, em particular a de Lina Leandersson, que cria uma Eli contida e introspectiva, mas que transparece sofrimento. Existem cenas inspiradíssimas também, como a dos dois tocando as mãos através da porta de vidro. Simples e sem efeitos especiais, é um 'terror' cru e honesto, realmente um filme sueco digno. Não foge de alguns clichés do gênero, mas nada que atrapalhe a maestria da película de Tomas Alfredson.


Quase sempre refilmagens não dão muito certo. Poucas vezes são tão boas quanto o original, e raramente o superam. Deixe-me entrar, surpreendentemente, se iguala e em alguns momentos, ouso dizer, até supera o original. A começar pelo elenco. O trio Chloë Moretz, Kodi Smit-McPhee e Richard Jenkins é espetacular. Chloë cria uma Abby diferente da de Lina, mais misteriosa, mais assustadora e intimidante. Aliás, o filme inteiro é muito mais aterrorizante que o original. Juntou-se a essencia do filme sueco com a tecnologia americana e a experiência no gênero terror do diretor Matt Reeves, e o resultado pode sim ser chamado de terror. Não é um terror de sustos a cada cinco minutos, ou aqueles que te deixam sem dormir, mas definitivamente é terror. Mas o drama do original não é perdido. A história se sustenta bem da mesma forma, os takes são refilmados quase que um a um, de forma quase idêntica. Preste atenção na palavra 'quase'. Apesar de serem quase idênticas, as cenas diferem em seu acabamento. Os novos atores trazem uma nova interpretação da mesma história, e Matt explora as cores fortes e escuras, como o marrom e o vermelho ao invés dos tons claros do original. Isso origina uma tensão que é inexistente em Deixe ela entrar. Algumas sequências, apesar disso, são totalmente modificadas. Os assassinatos que ocorrem no decorrer da trama são feitos de forma diferente no novo filme, o que não tras prejuízo algum, pelo contrário, chega até a dar mais emoção. O roteirista também optou por criar um novo personagem, o policial, e acabar com a linearidade da trama, mas estes detalhes na verdade nada mudam. O que é realmente importante, a relação da vampira com o garoto, é mostrado tão profundamente quanto no original. A cena final torna-se ainda mais chocante e arrebatadora.



Numa era de filmes de vampiros bonzinhos inundando as salas de cinema, é sempre bom ter uma amostra do que realmente é um ótimo filme de vampiros. Esse sim honra a icônica Anne Rice! Fãs de crepúsculo, assistam e vejam como o seu tão amado Edward de vampiro não tem nada.



Deixe ela entrar: 4 Sushis!!!!



Deixe-me entrar: 4 Sushis!!!!

Framboesa de Ouro 2011


Assim como existem eventos para premiar os melhores filmes do ano, existem também a premiação dos piores. Essa premiação em questão é a Framboesa de Ouro (Razzie Awards), que hoje revelou os indicados do ano de 2011. Todos os anos, como uma espécie de brincadeira, os indicados são revelados na véspera do anúncio dos indicados do maior prêmio do cinema, o Oscar.
A Saga Crepúsculo: Eclipse e O Último Mestre do Ar lideram com nove indicações cada. Além disso, esse ano foi criada uma nova categoria: Pior 3D de arrancar os olhos!
Conheça os indicados:

PIOR FILME

Caçador de Recompensas
A Saga Crepúsculo: Eclipse
O Último Mestre do Ar
Sex and the City 2
Os Vampiros que se Mordam

PIOR DIRETOR

Sylvester Stallone (Os Mercenários)
Jason Friedberg e Aaron Seltzer (Os Vampiros que se Mordam)
Michael Patrick King (Sex and the City 2)
M. Night Shyamalan (O Último Mestre do Ar)
David Slade (A Saga Crepúsculo: Eclipse)

PIOR ATOR

Robert Pattinson (A Saga Crepúsculo: Eclipse e Lembranças)
Taylor Lautner (A Saga Crepúsculo: Eclipse e Idas e Vindas do Amor)
Jack Black (As Viagens de Gulliver)
Gerard Butler (Caçador de Recompensas)
Ashton Kutcher (Par Perfeito e Idas e Vindas do Amor)

PIOR ATRIZ

Kristen Stewart (A Saga Crepúsculo: Eclipse)
Jennifer Aniston (Caçador de Recompensas e Coincidências do Amor)
Miley Cyrus (A Última Música)
Megan Fox (Jonah Hex - Caçador de Recompensass)
Sarah Jessica Parker, Kim Cattrall, Kristin Davis e Cynthia Nixon (Sex and the City 2)

PIOR ATRIZ COADJUVANTE

Jessica Alba (O Assassino em Mim, Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família, Machete e Idas e Vindas do Amor)
Cher (Burlesque)
Liza Minnelli (Sex and the City 2)
Nicola Peltz (O Último Mestre do Ar)
Barbra Streisand (Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família)

PIOR ATOR COADJUVANTE

Billy Ray Cyrus (Missão Quase Impossível)
George Lopez (Marmaduke, Missão Quase Impossível e Idas e Vindas do Amor)
Dev Patel (O Último Mestre do Ar)
Jackson Rathbone (O Último Mestre do Ar e A Saga Crepúsculo: Eclipse)
Rob Schneider (Gente Grande)

PIOR USO DA TECNOLOGIA 3D

Como Cães e Gatos 2
Fúria de Titãs
O Último Mestre do Ar
O Quebra-Nozes
Jogos Mortais: O Final

PIOR CASAL OU ELENCO

Jennifer Aniston e Gerard Butler, em Caçador de Recompensas
Josh Brolin e Megan Fox, em Jonah Hex
Elenco inteiro de A Saga Crepúsculo: Eclipse
Elenco inteiro de Sex and the City 2
Elenco inteiro de O Último Mestre do Ar

PIOR ROTEIRO

O Último Mestre do Ar
Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família
Sex and the City 2
A Saga Crepúsculo: Eclipse
Os Vampiros que se Mordam

PIOR SEQUÊNCIA, PARÓDIA OU REFILMAGEM

Fúria de Titãs
O Último Mestre do Ar
Sex and the City 2
A Saga Crepúsculo: Eclipse
Os Vampiros que se Mordam

A cerimônia de entrega dos prêmios acontece em 26 de fevereiro, um dia antes do Oscar.

Tentando voltar...

Olá pessoal, já faz um bom tempo que eu não passo aqui no blog né? Mais de um ano.
Então, estava querendo voltar à ativa. Vou tentar escrever mais sobre filmes aqui, porque além de ser um prazer, é também um ótimo treino de redação. Vou divulgar mais o blog e vamos ver no que vai dar!
Espero que em breve esteja postando mais comentários sobre filmes! Aguardem!
A temporada do Oscar começa amanhã com o anúncio dos indicados...

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Lua Nova


"Lua Nova" é considerado por muitos o filme mais esperado do ano. Principalmente pelas fãs da saga, que leram todos os livros e são completamente fissuradas pela história de amor entre o vampiro Edward e a humana Bella.

É com muito prazer que anuncio que já vi o filme, na pré-estreia, no dia 19, às 23:55! Depois de ficar 5 horas na fila esperando, rodeado de adolescentes (e alguns poucos adultos) histéricas e insuportavelmente talentosas em gritar e estourar tímpanos, consegui entrar na sala de cinema, assegurar um lugar bom para mim e para meus amigos, para conferir o filme com conforto. Mas o conforto logo se transformou em desconforto. Logo na cena de abertura do filme, em que é mostrada uma lua, que lentamente vai revelando o título do filme, quase tive vontade de sair da sala. Gritos de euforia inundaram a sala e me ensurdeceram momentaneamente. Segui confiante de que logo todas as fãs se manteriam caladas o resto da projeção, mas para o meu desgosto isso não ocorreu. A cada vez que um personagem aparecia pela primeira vez na película, vampiros brilhavam, lobos se tranformavam, e homens descamisados surgiam, gritos terríveis feriam meu ouvido. Resumindo, foi uma sessão de gritos de 2 horas e 10 minutos, com intervalos de 3 minutos entre eles. Simplesmente me deixaram louco. Além disso, começar a assistir um filme à meia noite pode dar sono, e foi exatamente o que aconteceu comigo. Ao final do filme, tudo o que eu queria era uma cama confortavel, para dormir e esquecer de vampiros e lobisomens.

Agora vamos ao que realmente interessa: o filme. Sei que não há a necessidade de contar a história, que a maioria já deve conhecer, mas vou resumí-la rapidamente. O filme dá continuidade à história de "Crepúsculo", e agora, Bella, a garota apaixonada pelo vampiro Edward, está em desespero por estar fazendo 18 anos. A cada dia fica mais velha que seu amado vampiro de eternos 17 anos. Em sua festa de aniversário, um acidente com um membro da família vampira Cullen faz com que Edward e sua família resolvam partir, para a segurança de Bella. De coração partido, entra em uma depressão profunda, e acha um ombro amigo (ou mais do que isso) no índiosinho Jacob. Ao mesmo tempo, Bella precisa se proteger da vampira Victoria, que está disposta a matá-la para vingar o assassinato de seu companheiro por Edward. Assim a trama segue, mostrando ainda lobisomens, e vampiros poderosos que vivem na Itália.

Basicamente é isso.

O primeiro filme da saga deixou muito a desejar. Com a direção nas mão da inexperiente e incompetente Catherine Hardwick, o resultado foi um filme fraquíssimo, estilo "Sessão da Tarde". Com a demissão desta, e a substituição pelo diretor Chris Weitz ("A Bússola de Ouro"), comecei a ter mais esperanças de que o segundo filme seria superior. Aos poucos, cenas e trailers foram sendo liberados na internet, e fiquei empolgado, pois parecia que um ótimo filme estava por vir. Doce ilusão.

Devo adimitir, o filme realmente é superior ao primeiro, não há duvidas. Mas não é tão melhor assim. As cenas de ação, o enquadramento da câmera, e os efeitos especias evoluem nítidamente. Mas isso não era exatamente difícil, comparado com o desastroso trabalho no primeiro filme. Lobos criados digitalmente deixam muito a desejar. Enquanto o leão Aslam, de "Cronicas de Narnia", também criado digitalmente, ficou incrivelmente perfeito, com uma beleza subrenatural, aparentando ser um deus, os lobisomens de Lua Nova parecem feitos com tecnologia ultrapassada, com uma pelagem extremamente artificial, que não convence a ninguém.

As atuações, como já era de se esperar, são sofríveis, por parte do trio principal. Kristen Stewart (Bella) congela sua expressão de "estou com dor de barriga" o filme inteiro, e não consegue transmitir nem um terço da emoção necessária para o papel. Robert Pattinson (Edward) consegue estragar toda cena em que aparece, com sua cara de galã de novela da Globo, e sua voz monótona, sem expressão e terrívelmente sonolenta e "anti-sexy". Taylor Lautner (Jacob) consegue ainda uma maoir simpatia do público por possuir carisma e conseguir mudar de expressão de acordo com a cena. A única coisa que realmente me incomoda nele é a sua voz nazal enfadonha. Por outro lado, a coadjuvante Ashley Greene, que interpreta a vampira Alice, melhorou muito a sua atuação, e neste filme, ilumina toda cena em que aparece. Novos nomes no elenco como Michael Sheen (Aro) e Dakota Fanning (Jane) fazem o filme ficar muito melhor. Michael nunca desaponta com suas atuações, fica simplesmente perfeito como Aro. Dakota é atualmente uma das melhores atrizes da sua idade (tem apenas 15 anos!). Jane é sua primeira vilã, e a jovem mostra que, com o mesmo talento de sempre, consegue criar uma perversa e cruel vampira.

O filme é muito fiel à história do livro em que é baseado. É até fiel demais. Li o livro e tive a impressão que o melodrama no filme cresceu em uma proporção absurda. Em toda cena, sem excessão, em que Edward e Bella aparecem juntos, há uma enchurrada de frases como "Eu não consigo viver sem você" ou "Você é a minha vida". É um exagero sem tamanho, o filme se torna mel puro. Para as fãs, todo esse melodrama é o máximo, mas para os menos viciados e os que desconhecem a saga ficarão certamente enjoados de tantas falas repetitivas e "fofas". Doce, doce, doce... Isso realmente pode incomodar a muitos e fazer com que percam o interesse antes do final.
A trilha sonora do filme tem altos e baixos. Há canções interessantes, como "I Belong To You" do Muse, que se destaca visivelmente, e outras de bandas como The Killers e Death Cab for Cutie. Mas também há músicas desastrosas, simplesmente impossíveis de ouvir. "Possibility", da cantora Lykke Li (nunca ouvi falar!) é insuportável, dói nos ouvidos, e a voz estridente da garota deixa qualquer um louco. A música que Thom Yorke fez para o filme era muito esperada, mas o resultado foi decepcionante. "Hearing Damage" é uma das piores faixas do álbum, um Thom Yorke irreconhecível, com uma batida irritante, simplesmente intragável.

Mas nem tudo é ruim em Lua Nova. Cenas como a da perseguição à vampira Victória, dos vampiros do Clã Volturi, e as cenas de abertura e final, são muito bem feitas, e certamente vão satisfazer imensamente todos os fãs. O filme garante um bom divertimento para uma noite de final de semana, mas nada muito profundo.

Posso dizer que Lua Nova é um perfeito exemplar de filme "água com açúcar", e bota açúcar nisso. Aviso: diabéticos, pensem bem antes de ver Lua Nova.
Nota: 2 1/2 Sushis!! (Estava em dúvida entre dois e três)